segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A agenda seguinte

Passada a euforia da operação no Complexo do Alemão e o ufanismo midiático é chegada a hora da verdade. Não há dúvidas de que as UPPs hoje já se revelam fundamentais em favelas antes subjugadas pelo crime organizado. Isso porque elas parecem cumprir o papel tático de sufocar economicamente as quadrilhas. Mas é só. A partir desse pilar, cabe ao estado se fazer presente junto a essas comunidades teoricamente pacificadas.
Simbolicamente, a ação militar no Alemão mostrou a força do aparelho estatal, o que não poderia ser diferente. Pior se fosse o contrário: os traficantes tomando de assalto o governo. O estado tem sim que demonstrar seu poderio bélico, quando necessário, para fazer valer a lei e a ordem. E a situação do Rio já havia ultrapassado todos os limites. Contudo, é ilusão pensar que a UPP por si só livrará à população do flagelo da violência.
Ninguém dúvida da capacidade do país de realizar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Como vimos, esses eventos, se preciso for, serão realizados até com o uso da força. Mas desta forma, no entanto, é colocar o lixo debaixo do tapete. O importante é o poder público aproveitar o momento que ele criou, aprofundando as ações de combate aos traficantes.
Mas o fundamental é que esses ações abram espaço para a ocupação social. A agenda seguinte do governo deve ser a cidadania e a inclusão, através de serviços de infraestrutura, educação, saneamento, saúde, lazer... Caso contrário, tudo isso terá sido em vão e os espaços, antes ocupados por traficantes, poderão muito bem dar lugar aos milicianos, outro grupo de criminosos que o governo terá de começar a enfrentar em breve.

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