sexta-feira, 6 de abril de 2012

Um dia atrás do outro

Diz o ditado popular que “o tempo é o Sr da razão” e com certeza esse ensinamento é verdadeiro e muito útil. Tem outro que diz que “a pressa é inimiga da perfeição” e outro ainda diz que “não tem nada melhor do que um dia atrás do outro”. Particularmente me valho dos três ditados para a minha vida e acho que o ponto de convergência dos três, o que seria a moral da história,  é simplesmente o fato de que se podemos ter calma e se podemos usar a razão para nossas tomadas de decisões, porque não tê-la e não usá-la ?!? No mundo da política as coisas acabam acontecendo com muita velocidade e há uma tendência à emocionalização exacerbada em alguns momentos. A paixão na política é frequente e a necessidade de decisões rápidas também, mas isso não significa que na política devemos agir sem pensar e de forma atabalhoada, muito pelo contrário,  se trabalharmos com planejamento e com metas, as tomadas de decisões ficam mais seguras, sobretudo se forem respaldadas pelo equilíbrio necessário.

Vivemos atualmente um momento delicado e turvo na política cabofriense. São várias  dúvidas e  indefinições que acabam deixando o tabuleiro do jogo desarrumado, atrapalhando assim boa parte das articulações. Em momentos como esse os “cientistas políticos” de plantão, que aliás não são poucos, semeiam as ruas com versões inverossímeis e acabam criando a fofoca e o disse me disse típico das esquinas locais. A cidade acaba ficando em polvorosa e as versões assumem o lugar dos fatos, cegando as pessoas e atendendo aos interesses escusos daqueles que exploram a balbúrdia como instrumento para a promoção de suas vontades. O “disse me disse” é mais rápido do que rastilho de pólvora queimando e deixa todo mundo desorientado. Nesse contexto surgem os arranjos impossíveis, as idéias absurdas e as parcerias descabidas, justificadas pelas teorias mais esdrúxulas que podemos imaginar. O peso político de cada grupo começa a ser medido desproporcionalmente e a valorização do indivíduo se dá de forma latente, sobrepujando o coletivo. Ou seja, o partido político não importa, o que passa a ter valor é a pessoa e o que ela tem. Ledo engano.

Ao fazer uma avaliação desse contexto me permito dizer que considero realmente que a situação ainda não é boa, mas pode mudar. O novo ainda não teve chance, de repente ele pode surgir engolindo todo o status quo e mostrando definitivamente à população que as amarras podem ser rompidas agora, bastando ter coragem e conteúdo para enfrentar. Cabo Frio precisa dizer o que quer e para onde quer ir, precisa escolher um timoneiro destemido e capaz para enfrentar as tormentas desse mar revolto e cheio de tubarões. O novo tem que ser viável, tem que ter experiência e capilaridade política para conversar e se relacionar com os demais atores políticos. O novo precisa respeitar seu partido político e sua história partidária, precisa transmitir ao povo segurança e equilíbrio, precisa ter um discurso progressista que se transforme em ações concretas e efetivas. O novo, necessariamente, precisa ser aquele que consiga atravessar esse momento sem se entregar às teses e às práticas dos que aí estão, precisa ser aquele que aglutine a grande massa e outros partidos para uma caminhada definitiva rumo a dias melhores. Não nos espantemos, afirmo com tranquilidade, o novo está por vir, estará na luta de forma confortável e segura. Como o “tempo é o Sr da razão” e a “pressa é inimiga da perfeição”, com calma e com a razão, vivendo um dia atrás do outro, chegaremos lá !!!

Bernardo Ariston

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