domingo, 20 de maio de 2012

Melhorar a Saúde Pública é um desafio.


Até 1988 a saúde no Brasil não era universalizada, sua organização era voltada apenas para aqueles que contribuíam com a previdência. Com o processo de abertura política no Brasil, aos poucos um novo modelo foi sendo criado. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 nasce o Sistema Único de Saúde (SUS) com a proposta de garantir a toda população brasileira acesso ao atendimento público de saúde.
    
A saúde pública deve ter seu foco alinhado com as necessidades da sociedade. Isso é o óbvio, contudo, face a heterogeneidade da sociedade, deve-se levar em conta as diferenças, as características e as peculiaridades dos mais diversos grupos sociais que formam a totalidade da população. Em tese, a saúde pública deve ser regida a partir dos interesses sociais que o Estado representa e sendo um dos direitos fundamentais do cidadão cabe ao Estado organizar os sistemas e serviços de saúde, atuar nas questões determinantes do processo saúde-doença, controlar a incidência de doenças, promover as intervenções cabíveis e aplicar permanentemente as ações de vigilância sanitária. 
    
Em tese o SUS é uma beleza, mas na prática é um sofrimento para quem precisa. A forma como é gerido não garante o pleno acesso da população ao sistema. A ausência de gestores capacitados, na maioria das cidades, cria um ambiente desfavorável ao desenvolvimento da saúde pública. Faltam condições de atendimento e de tratamento digno e a corrupção ainda é um problema sério. Na maior parte das cidades brasileiras a gestão da saúde é ineficiente. O sistema  local precisa ser dimensionado adequadamente, precisa ser integrado e ter os níveis compatíveis de atendimento, seja de forma direta ou de forma indireta, através, por exemplo, dos consórcios intermunicipais de saúde, que particularmente eu defendo e, na sua impossibilidade, a implementação de todos os níveis da saúde pública em municípios com mais de 150 mil habitantes, ou seja, em cidades do porte de Cabo Frio ter os serviços de saúde de baixa, média e alta complexidade. 

Prezar por uma gestão de qualidade representa investir melhor os recursos, representa criar oportunidades, ter gestores e técnicos capazes, bem como,  planejar a saúde local com vistas a resultados efetivos. Melhorar a saúde pública é um desafio que eu acho possível, basta querer, basta ter vontade de implementar uma política séria, estruturante e prioritária, que tenha um orçamento adequado e que seja balizada por um planejamento factível, capaz de apontar as falhas e as soluções, um planejamento que valorize também  o profissional da saúde, que priorize o tratamento preventivo e a saúde básica, acima de tudo e que garanta a atenção digna que o povo merece.

Bernardo Ariston

2 comentários:

  1. Concordo plenamente com o que diz e gosto muito da maneira como escreve, colocando seu ponto de vista de forma clara e objetiva.
    Também acredito que melhorar a saúde pública é um desafio possível e me atrevo a falar que de certa forma até bem fácil, uma vez que todos sabem o que é necessário fazer, só que há muitos interesses "ocultos"...

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  2. tecnicos capazes e bem remunerado. o brasileiro hoje procura uma profissão pela remineração enquanto a procura por vocação fica em segundo plano é a realidade de nosso país . concordo plenamente na mudança do tipo de gestão e se necessário de gestores . um abraço de luz

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