segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Não pode ser o que não é


"Que não é o que não pode ser que/ Não é o que não pode/ Ser que não é/ O que/ não pode ser que não/ É o que não/ Pode ser/ Que não/ É". Esse trecho da música "O que" dos Titãs pode ser usado para uma série de situações, inclusive para ilustrar algumas situações da política. Quem imaginaria, por exemplo, que o Lula pediria apoio ao Maluf para a candidatura do Hadad em São Paulo, ou, quem poderia imaginar que o Jânio fosse aceitar apoio do Marquinho Mendes depois de dizer poucas e boas sobre o alcaide, ou, quem poderia imaginar que o Alair pudesse aceitar o apoio do vereador Alfredo, cujo apelido de fujão foi dado pelo mesmo quando o vereador, então presidente da câmara, se escondeu para não ser notificado pela justiça, o que provocaria a saída do Marquinho da Prefeitura, frustrando assim os interesses do Alair e do povo que o acompanha. Dizem que a política também é a arte do possível, mas assim, com esses exemplos, vemos como despretenciosa tem sido a arte de se fazer política, sobretudo em Cabo Frio. O que impera é o fisiológico, a objetividade nada messiânica do pragmatismo absoluto daqueles que são capazes de colocar de lado aquilo que pensam simplesmente para chegar ao poder visando apenas o poder.

Ao passo que escrevo fico me perguntando sobre a postura do meu partido face as eleições cabofrienses. Fico pensando e repensando porque tanta turbulência com o PMDB local nos últimos meses. É obvio que o partido sofreu uma tentativa de golpe engendrada por personagens que não têm compromissos ideológicos, nem com o partido e nem com seus filiados e admiradores. O que aconteceu foi uma vergonha, um descaso com a História e com aqueles que acreditavam ser o PMDB uma bela alternativa para apresentar o "novo" para a cidade. O PMDB de Cabo Frio foi violentado por falsos políticos que só entendem a linguagem do capital e do arranjo mesquinho para alcançarem seus objetivos. Foi violentado principalmente por um elemento que alegava ter o rei na barriga, mas que pulou fora opotunisticamente, se dizendo vítima do processo que ele mesmo alimentou e deixou seus companheiros na mão para se aventurar como pobre coitado ao lado daqueles que anteriormente repudiava.

O fato é que precisamos nos livrar do modismo e das paixões retumbantes na política, pois enquanto permitirmos que falsos líderes nos conduzam bateremos sempre contra o muro e não conseguiremos construir uma sociedade melhor. Quem viu e acreditou, acreditou porque quis, pois sempre existiu uma voz dizendo que não estava certo e os fatos falavam por si, porém, aquela voz foi abafada e a paixão acabou cegando muitos olhos. O canto da sereia soou mais alto e muita gente se afogou, mas, mesmo assim, vamos para o embate. Acredito que nenhum político tenha o direito de se manifestar dizendo que em determinado lugar quem manda é ele e que as coisas vão acontecer do jeito que ele quer. O coronelismo é coisa do passado em nossa história e não é democrático. Assim, repito o trecho da música dos Titãs que diz "Que não é o que não pode ser que/ Não é o que não pode/ Ser que não é/ O que/ não pode ser que não/ É o que não/ Pode ser/ Que não/ É", pois acredito naquilo que é e não naquilo que não pode ser o que não é. Chega de curral eleitoral, chega da política menor !!! Que o mensalão fique sepultado no STF e que o povo brasileiro mude a realidade política do Brasil elegendo, nos municípios, pessoas que tenham compromisso com o bem comum, com a coisa pública, com um futuro justo e equilibrado, onde todos tenham condições de igualdade e com uma qualidade de vida melhor.

Bernardo Ariston 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A seca, os grãos e a inflação.


Ministro Mendes Ribeiro Filho e Bernardo Ariston

Na última terça feira, 14 de agosto, fui a Brasília resolver alguns assuntos e em especial visitar meu colega de mandato, o Deputado Federal Mendes Ribeiro Filho, atual Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Desde que saí do meu segundo mandato que não havia estado com ele. Fomos vice líderes de bancada juntos e sempre tivemos uma excelente relação durante os oito anos em que estive na Câmara. Cheguei para a audiência mais ou menos na hora em que os grevistas do funcionalismo federal faziam a maior algazarra nas portas dos ministérios e ao subir até o oitavo andar fui me lembrando das minhas idas e vindas na Esplanada. Durante os oito anos de mandato percorrí por diversas vezes aqueles prédios no cumprimento dos mandatos, buscando os melhores resultados para o nosso povo.

Fui recebido por Sua Excelência com o maior carinho e com a alegria de sempre, foi uma visita de cortesia e a conversa fluiu de forma muito agradável e instrutiva. Quando passamos a conversar sobre as questões afetas a sua pasta veio a tona a questão da possibilidade de uma crise mundial nos preços dos alimentos. Os EUA enfrentam a maior seca dos últimos 50 anos e por consequência verifica-se a quebra em sua safra de grãos. O ministro me relatou com alegria que nesse ano a safra de soja brasileira já é a maior do mundo, maior que a americana, entretanto, entendo que a seca nos EUA vai influenciar no preço dos grãos no mundo todo, pois no mundo globalizado grãos são commodities e, portanto, são cotadas no mercado internacional. Apesar de estarmos batendo o recorde de produção, o que é muito bom por um lado, uma vez que mostra o nosso potencial, não é pelo outro, pois lamentavelmente esse fato por si não garante um menor preço dos grãos e por consequência impacta no preço de toda a cadeia produtiva. Ou seja, mesmo sendo o Brasil um respeitável produtor de grãos, os efeitos da estiagem americana vão repercutir aquí e a alta nos preços dos alimentos é uma triste realidade.

De maio a agosto desse ano os preços médios do grão no atacado já subiram 33% e certamente essa alta  vai repercutir no varejo e o consumidor vai sentir no bolso. Algumas previsões da Bolsa de Gêneros Alimentícios projetam altas não superior a 5% no varejo e as cotações mais elevadas já devem aparecer na próxima divulgação da inflação, no IPCA (índice de preços ao consumidor amplo) de agosto. Assim, é duro, mas é real, a estiagem americana vai impactar diretamente na inflação. Na minha opinião o Brasil precisa continuar produzindo cada vez mais, tendo os devidos cuidados, protegendo e estimulando o produtor e a produção em todos os níveis. Precisa cada vez mais investir em infraestrutura, visando não só a geração de empregos e o consequente crescimento econômico, mas acima de tudo diminuir o custo Brasil e promover o desenvolvimento econômico. Vamos em frente !!!

Bernardo Ariston

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"Onda, onda, olha a onda..."


Mais uma página virada, as olimpíadas terminaram. Honestamente acho que o resultado do Brasil deixou muito a desejar e se falarmos de futebol e vôlei masculino, não sei nem o que dizer. Talvez render os devidos elogios ao México e a Rússia seja a melhor saída, pois foi de amargar ficar com a medalha de prata em ambos os casos. Levar a prata pode ser até honroso, mas em se tratando de ver a seleção brasileira de futebol "jogar prá inglês ver" e a de vôlei perder de  3 a 2, numa virada inacreditável, realmente é duro. A vida segue e com os erros e derrotas devemos aprender e nos fortalecer para um futuro melhor. No mais, temos agora que trabalhar duramente para que os jogos olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, entrem para a história como um marco e não apenas como uma agenda como foram as olimpíadas desse ano. Não vai ser colocando uma escola de samba na abertura dos jogos que vamos entrar para a história, vamos ter a primeira olimpíada do nosso continente, a primeira de um pais emergente, e isso por si só já nos imputa uma responsabilidade enorme, fora tudo aquilo que poderemos aproveitar para o presente e para o futuro.

Em Brasília a onda continua sendo o julgamento do mensalão. Não fiquei nenhum pouco impressionado com a postura do advogado do Deputado Roberto Jefferson, eu já esperava aquela linha, pois ela tem uma relação objetiva com tudo o que aconteceu. As doses de bravata e valentia foram típicas de quem estava atacando como recurso de defesa. Também não me impressionou o fato de alguns ministros terem argüido alguns advogados acerca de suas teses. Na dúvida, pergunta-se, é óbvio. Feio e atípico foi perceber que após as perguntas alguns causídicos tremeram na base. Eu acho que vai haver condenação sim, mas apesar de apenas 11% da populaçao achar que isso vai acontecer, faço parte também dos 73% de brasileiros que desejam a condenação. Em paralelo o Cachoeira também surfa sua onda e a cada dia que passa forças do sistema soltam pílulas do caso em doses homeopáticas. Parece até que fazem isso de propósito para contrapor ao mensalão e criar um equilíbrio midiático. Alguém mais ouviu falar da Delta, do Cavendish, entre outros ?!? 

A nossa querida região dos lagos volta às telas da Globo em horário nobre e com um certo destaque. Dessa vez não vemos mais as belezas e o glamour de Buzios, mas uma tentativa bem bobinha de querer mostrar Cabo Frio como um lugar cafona. Sem sombra de duvidas a novela Av. Brasil é um sucesso absoluto e o tema central da novela, apesar de me parecer exagerado, está sendo bem encarnado pelas protagonistas da trama. O autor está de parabéns, apesar de tanto exagero. A novela está expondo e trazendo ao debate a questão da vingança abertamente e de forma exorbitante. Apesar de tudo, esse tema está em voga, faz parte também das fofocas de esquina e, de uma maneira ou de outra, acaba por criar outra onda no cotidiano brasileiro. Espero honestamente que essas ondas passem logo como passaram as olimpíadas. Em tempos de mensalão, cachoeira, vingança na telinha e participação secundária nos jogos olímpicos, ter Marina Silva como destaque na abertura dos jogos não é nada, mas não ter cuidado com o voto nas próximas eleições pode dar margem a ondas tsunâmicas.

Bernardo Ariston 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Havia muita fumaça no ar !!!


Quando fui eleito deputado federal pela primeira vez não podia imaginar que nos anos seguintes a tônica da República seria um esquema de corrupção violento, aparentemente elaborado pelo núcleo do poder constituído, onde havia pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio ao governo no Congresso. Se alguém, antes da exposição dos acontecimentos, sugerisse que aquilo estaria acontecendo certamente seria execrado em praça pública, afinal de contas o governo recém empossado era o do PT, que por anos a fio tentou chegar ao poder central do país, se valendo de articulações políticas e de posturas denuncistas para combater aquilo que julgava errado na República, sobretudo aquilo que eles diziam que era corrupção.  

O movimento guerrilheiro no Brasil começou tarde e fora dos padrões das guerrilhas na América Latina. Vários argumentos foram usados para justificar a falência desse movimento no Brasil, entretanto, um deles, o de que seria muito difícil ganhar o poder pelas armas sem dinheiro para financiar a intentada, pode ter ficado marcado na memória de muitos daqueles jovens que queriam acabar com a ditadura militar. Passado o tempo e instalada a democracia, chegou o tempo daqueles que se dispuseram a pegar em armas para salvar a nação de entrar pela porta da frente no poder. Porém, os fantasmas do passado talvez continuassem a cerca-los e, provavelmente, uma das preocupações era não permitir que o inimigo pudesse tirar a condição finalmente conquistada. Contudo, não estávamos mais nos anos de chumbo e sim vivendo a plenitude da democracia. O teatro de batalha era outro e a forma de se combater os adversários também. Porém, aquele gosto amargo da derrota pode ter levado alguns  dos ex guerrilheiros, que chegaram ao poder pelo voto, a crer que a melhor estratégia seria garantir uma base ampla de votação no Congresso através da cooptação de parlamentares em troca de dinheiro. Eu vivenciei aquilo, respirei aquele ar e mesmo sem  participar e sem imaginar o que estava acontecendo, acabei vendo de perto performances duvidosas de parlamentares que deveriam estar ali para defender os interesses do povo brasileiro e a plenitude da democracia.

O José Dirceu, que era meu colega deputado, mas estava nomeado Ministro Chefe da Casa Civil, era o manda chuva do governo Lula. Nada acontecia sem seu conhecimento e sem sua autorização. Ele era forte mesmo e tinha total confiança do Presidente. Digo isso porque participei de várias reuniões onde essa postura era cristalina e na maioria das vezes quem definia tudo era ele. Não era raro vê-lo tratando mal alguns parlamentares e vê-lo circulando com aquele ar prepotente que passou a ter. Muitas vezes ouvia conversas que suas atitudes não iriam dar bons resultados para o governo, mas eu não alcançava as razões daqueles comentários, pois quem os faziam tinham mais vivência do que eu no Congresso Nacional. Havia muita fumaça no ar !!! 

Quando o Deputado Roberto Jefferson delatou o “Mensalão”, tudo fez sentido, as peças passaram a se encaixar. O próximo passo foi caçar, num julgamento político, o mandato do José Dirceu, que foi apontado como cabeça pensante do esquema, e desvendar tudo aquilo que ficou conhecido como “Mensalão”. Hoje, o julgamento da ação penal 470 já começou no STF e 38 pessoas estão sendo acusadas de participarem do esquema de compra de votos para beneficiar o governo naquele momento. A peça acusatória, lida por cinco horas na semana passada, é contundente e detalhista. Na visão do Ministério Público, o ex-ministro teria estabelecido, ao lado de correligionários, "um engenhoso esquema de desvio de recursos de órgãos públicos e de empresas estatais" e "o objetivo era negociar apoio político ao governo no Congresso Nacional, pagar dívidas pretéritas, custear gastos de campanha e outras despesas do PT". A opinião pública parece desejar a condenação dos réus, entretanto, como o julgamento é técnico e os advogados de defesa são os melhores do Brasil, muita coisa pode acontecer. Aquele que já é conhecido como o maior julgamento da história do STF poderá ser um divisor de águas em nossa história e servir de fato como elemento para consolidar nossa democracia. Quem for culpado por esse escândalo que pague na letra da lei. Vamos aguardar, acompanhar e torcer por justiça, pois o Brasil merece. 

Bernardo Ariston