sábado, 19 de outubro de 2013

Entre o céu e a terra eles serão julgados pela história

Professores da rede municipal do Rio entraram em greve em 8 de agosto pedindo a criação de um plano que oferecesse à categoria melhorias nos cargos e salários. O plano contrário aos interesses da categoria foi aprovado pelos vereadores em 1º de outubro, em sessão fechada ao público. Durante a votação os professores da rede pública municipal de ensino promoveram ato de manifestação contra a votação do Plano de Cargos e Salários da categoria em frente a Câmara Municipal e foram covardemente reprimidos pela polícia militar. No dia seguinte, o PCS foi sancionado pelo prefeito Eduardo Paes e virou lei. A sessão chegou a ser cancelada pela Justiça em 11 de outubro, mas a liminar foi cassada no dia 16 e o plano voltou a valer. A categoria quer um novo Plano de Cargos e Salários e a reabertura de negociação com o governo. No âmbito da rede pública Estadual de ensino a greve também começou no dia 8 de agosto e em assembléia realizada no dia 16 de outubro, os professores votaram pela continuidade da paralisação que já dura mais de 60 dias. Os professores reivindicam reajuste salarial de 20%, carga horária de 30 horas semanais para funcionários, e a derrubada do veto do governador Sergio Cabral ao artigo do Projeto de Lei 2.200, que garante uma matrícula de professor em apenas uma escola.

 Além de porrada, gás de pimenta, bomba, gás lacrimogêneo, bala de borracha e muita truculência o Governador Sérgio Cabral judicializou o impasse na tentativa de desmobilizar o movimento e de castigar os grevistas e obteve, em setembro, autorização do TJRJ para descontar dos salários dos professores grevistas os dias de paralisação, desrespeitando flagrantemente o direito de greve assegurado pela constituição brasileira. O SEPE recorreu ao STF e obteve decisão liminar proferida pelo ministro Luiz Fux que entendeu que a manutenção do desconto “desestimula e desencoraja, ainda que de forma oblíqua, a livre manifestação do direito de greve”. O ministro em sua decisão ainda decidiu marcar audiência de conciliação, alegando a possibilidade da promoção de mediação “capaz de ensejar um desfecho conciliatório célere e deveras proveitoso para o interesse público e, também, nacional." Mesmo sendo uma querela relativa ao Estado, o ministro também convidou o prefeito Eduardo Paes para participar da tentativa de conciliação.

É lamentável ver uma situação como essa e saber que no fundo os prejudicados somos nós mesmos. É óbvio que os professores tem razão, eles lutam por melhores condições de vida e de trabalho, uma coisa normal, que faz parte do cotidiano de qualquer sociedade. Anormal é negar isso, é querer exigir dos professores aquilo que eles não podem dar ou que não estão em condições de dar. Não só os professores, mas todos os profissionais da educação merecem melhorias sempre. Cabe ao gestor público criar as condições, pois existe uma realidade fática e como nem sempre é possível atender todas as reivindicações ou chegar a termo em algumas questões, necessário se faz um canal aberto e permanente de conversação e negociação entre o governo e a categoria, justamente para se promover sempre o melhor ajuste dos interesses. Não conversar é politicamente incorreto, é negar a democracia e o contraditório. A política também é a arte de negociar e de fazer acordos, o mandatário do poder público tem que saber se valer disso e promover sempre o debate no intuito de esgotar sempre todas as possibilidades para a consecução de bons acordos. Ver o STF tentar promover mediação entre os governos estadual e municipal com o SEPE, na busca por um “desfecho conciliatório”,  parece até bonito, mas nesse momento é a certeza da incapacidade dos nossos governantes de fazer política, é a demonstração clara de que eles perderam a condição de negociar e de representar os interesses da nossa população. Uma sociedade como a nossa merecia ter uma política de educação de vanguarda que contemplasse efetivamente 100% de nossa população e que valorizasse o ensino como ferramenta para um futuro melhor e mais justo para todos. 

Como espectador da manifestação dos professores no dia 1 de outubro sou testemunha e vítima da truculência e da violência da PM. Não preciso falar muito, contra fato não há  argumento, mesmo sem participar efetivamente dos protestos fui alvejado por uma  das bombas da PM que acabou fraturando e queimando meu pé direito gratuitamente e de forma muito suspeita, me levando inclusive a crer que sofri um atentado. Contudo, mesmo sendo mais uma vítima do desmando e da falta de compromisso e do cuidado do nosso governo, não vou alardear essa questão, tomarei as devidas providências e aguardarei desejando que justiça seja feita. Entretanto, deixo registrado meu repúdio à falta de compromisso dos nossos governantes com os nossos profissionais da educação pública e com seus desmandos que acabam por vitimar inocentes, na certeza de que a luta por dias melhores e por justiça social continua. Vamos em frente, entre o céu e a terra eles serão julgados pela história !!!


Bernardo Ariston

terça-feira, 23 de abril de 2013

Até quando esta realidade ?


No dia 23 de janeiro deste ano, a presidente Dilma Rousseff anunciou em cadeia nacional de rádio e TV a redução na tarifa de energia elétrica. Durante seu discurso disse que “a conta de luz, neste ano de 2013, vai baixar 18% para o consumidor doméstico e até 32% para indústria, agricultura, comércio e serviços. Ao mesmo tempo, com a entrada em operação de novas usinas e linhas de transmissão, vamos aumentar em mais de 7% nossa produção de energia e ela irá crescer ainda nos próximos anos”. Entretanto, no dia 15 de abril, os consumidores atendidos pela Ampla tiveram 11,93% de aumento em suas contas. Ou seja, a presidente Dilma anunciou uma ficção, pois mesmo com o anúncio de janeiro, nada foi feito para evitar o aumento oriundo do reajuste das distribuidoras, que são anuais e refletem a variação do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), bem como o aumento do custo dos Encargos de Serviços do Sistema (ESS) e os gastos que as distribuidoras tiveram com compra de energia. Uma vergonha, uma brincadeira, o governo quer criar uma sensação equivocada na população, pois no fundo o consumidor continua pagando caro pela falta de objetividade, de compromisso e de transparência no trato da coisa pública, uma vez tudo acaba sendo repassado para a formação do preço final que cai na nossa mão.

Outro aspecto relevante que sempre acaba caindo no nosso colo e reflete diretamente no nosso bolso é o problema da péssima infra estrutura e da logística do Brasil. Essa questão realmente representa um entrave muito sério quando se fala em crescimento e desenvolvimento econômico do país. Lamentavelmente essa questão tão importante para a estruturação de uma nação forte, sempre foi deixada em segundo plano e sempre que algum aspecto é tratado aparecem diversos problemas que acabam desvirtuando aquilo que realmente deveria ser.  Sito como exemplo matéria exibida no Fantástico do último domingo (21/04) sobre a deficiência estrutural nas ferrovias e portos brasileiros. De acordo com a matéria 20% do preço daquilo que se compra refere-se ao custo do transporte, que fica mais caro a cada ano. Assim, não é difícil entender que mesmo tendo uma super safra de grãos no país esse ano, o preço da comida não tem como ficar mais em conta por causa desse tipo de gargalo. Triste realidade. Para entendermos melhor, me atenho a outro ponto da matéria do Fantástico que nos revelou que o Brasil, em 20 anos, investiu R$ 5,1 bilhões na Ferrovia Norte-Sul e ainda vai precisar gastar mais R$ 400 milhões, em uma obra que já foi considerada pelo TCU como super faturada e mal executada, para que o trem possa finalmente funcionar e transportar nossa produção de maneira mais barata e eficiente. A obra da Ferrovia Norte Sul é a sétima maior obra de transporte em execução no mundo e corta o Brasil do Pará ao Rio Grande do Sul, porém antes de funcionar já está cheia de problemas e deficiências que representam exatamente a falta de  objetividade, de compromisso e de transparência no trato da coisa pública, que citei acima e que acaba caindo no nosso bolso.

Nessa linha de raciocínio reafirmo que um país que pretende ser potência mundial não pode mais admitir esse tipo de situação e precisa tomar medidas enérgicas para que essa realidade mude imediatamente. O que adianta ter uma super safra de soja e ver os contratos de compra celebrados com a China, por exemplo, sendo cancelados por não haver garantias de cumprimento do prazo de entrega do produto ?!? O que adianta uma produção monstruosa de alimentos se a nossa população não consegue comprar ?!? O que adianta ter uma economia de consumo onde há estímulo para a compra de eletrodomésticos e não ter de fato mudanças na qualidade de vida das pessoas ?!? No meu artigo anterior manifestei preocupação com a associação da realidade de nossa infra estrutura à nossa condição social deficitária, uma fórmula que privilegia o atraso e o subdesenvolvimento. Nossa realidade é sui generis, as diferenças sócio econômicas são gritantes. O país é rico, mas há pobreza, há miséria, aproximadamente 54% da população compõe a classe média e existe também uma pequena classe milionária. Apesar de estarmos na octogésima quinta (85ª) posição, dentre os 187 países avaliados pelo PNUD, o IDH do Brasil é considerado de "Desenvolvimento Humano Elevado, o que se explica pelos bons resultados econômicos e sociais nos últimos anos, apesar e também pelo aumento da expectativa de vida em nosso país. Por outro lado, apresentamos sérios problemas de saneamento e de abastecimento de água, bem como, na distribuição de renda e, principalmente, no nosso sistema de educação, o que justifica não termos um IDH melhor. No Brasil, em 2012, verificou-se aproximadamente 16 milhões de analfabetos e aproximadamente 30 milhões de alunos que não concluíram a 4ª série do ensino fundamental. Essa triste realidade é fruto de um modelo de educação arcaica e com pouca inovação, que trataremos amiúde em outros artigos, por se tratar de assunto relevante.

Tenho certeza e acredito que podemos mudar essa realidade. Contudo, temos que firmar posições com pessoas capacitadas e compromissadas com o cidadão brasileiro e com a coisa pública, com pessoas que tenham como objetivo a utilização da política como instrumento de inclusão social e de transformação da nossa realidade, com pessoas que sejam eficientes, sérias e objetivas, que tenham condições reais de influir no processo político, que sejam bem relacionadas e bem intencionadas, capazes de promover exatamente aquilo que se faz necessário para a construção de uma nação feliz e saudável, sob todos os aspectos, e com desenvolvimento sócio econômico  real.

Bernardo Ariston

domingo, 7 de abril de 2013

Nossa Guerra é diferente.


Após sofrer sanções da ONU por ter realizado testes com armas nucleares Kim Jong-un, o ditador norte coreano, passou a fazer ameaças de guerra contra a Coreia do Sul e os Estados Unidos. Analistas avaliam a princípio ser uma estratégia para chantagear o ocidente na busca por alimentos, bem como para demonstrar internamente que o país é forte e que seu líder é firme. Todavia, chama atenção o fato de que as chantagens norte coreanas vêm sendo feitas homeopaticamente e com resultados que nos levam a crer que de fato há um sinal de alerta real para um conflito armado. Os mesmos analistas avaliam que o jovem ditador tem sido eficiente na guerra de palavras ao manter o assunto em evidência nos noticiários internacionais das últimas semanas. Uma das ultimas ameaças foi o anuncio da aprovação final para um ataque nuclear aos estados unidos, imediatamente rechaçado pela ONU quando o Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, recomendou que a Coreia do Norte mudasse de rumo e afirmou que a crise poderia ter consequência gravíssimas. Obviamente, sem pestanejar, os Estados Unidos reforçou suas defesas no Pacífico.

Na certeza de que cada um trata de seus problemas de acordo com sua conveniência,  é imperioso dizer que, por aqui, também estamos em sinal de alerta, tentando resolver os nossos. De fato há uma crise econômica mundial e o Brasil tem rebolado para não entrar nesse furacão. Estamos na iminência da maior safra de grãos do mundo, somos os maiores exportadores de carne bovina e considerados como um celeiro mundial de alimentos, entretanto, um dos grandes problemas da nossa economia, pasmem, é o preço dos alimentos.  A propósito, é esse aumento que está servindo como pano de fundo para justificar o desvio da meta da inflação. Por um outro lado o governo se esforça para estimular a produção. Recentemente a Presidente Dilma editou uma Medida Provisória aumentando a quantidade de setores beneficiados com a desoneração da folha de pagamento. Essa medida tem como objetivo a redução do custo de produção no Brasil e o governo acredita que essa redução se transforme em expansão do investimento. 

Espero que o governo esteja certo no que tange a política de estímulo à produção, mesmo sabendo que algo a mais sempre pode ser feito. Contudo, lamentavelmente nossa infra estrutura é muito aquém do que realmente necessitamos. Essa questão é preocupante e quando associada a uma condição social deficitária, nos impõe freios no desenvolvimento. Estamos atrasados e, mesmo ocupando a sexta posição no ranking da economia mundial, ainda somos detentores de realidades que nos colocam num patamar fragilizado, basta checar nosso IDH para entender. Adotamos políticas que na prática servem meramente para alimentar índices e rankings, mas que na verdade nos amarram, uma vez que, para executá-las, desprendemos energia e recursos que não são transformados em resultados concretos e efetivos. Nossa guerra é diferente, precisamos nos defender educando e dando qualidade de vida com justiça social ao nosso povo, bem como investindo maciçamente na infra estrutura do país. Nossa guerra é contra o atraso, contra o preconceito, contra essa política mesquinha que se alimenta do subdesenvolvimento desse “sistema” falido. Nossa guerra é, acima de tudo, por inclusão social, lato senso, e pela valorização do Brasil.

Bernardo Ariston

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sistema OCB/Sescoop-RJ promove reunião de integração com o MAPA

2013: ano do fortalecimento do ramo Agropecuário no Rio de Janeiro

O Sistema OCB/Sescoop-RJ realizou no dia 4 de janeiro, pela primeira vez no Estado, um encontro de integração com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e diversas instituições para integração e mapeamento das principais atividades a serem desenvolvidas durante o ano de 2013 no ramo Agropecuário do cooperativismo.

Os principais pontos da pauta foram o Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) - que disponibiliza recursos para financiar a recuperação de áreas degradadas, a implantação de sistemas orgânicos de produção de planos de manejo florestal sustentável, a continuidade do Programa Rio Genética como ferramenta para o melhoramento genético, o fortalecimento e a criação de cooperativas de produtos orgânicos e de agricultura familiar.

Participaram o presidente do Sistema OCB/Sescoop-RJ, Marcos Diaz, os superintendentes técnico do Sescoop/RJ, Jorge Barros, e o administrativo e financeiro do Sescoop/RJ, Jorge Lobo, e o superintendente federal do Mapa, Bernardo Ariston. Também acompanharam a reunião, realizada na sede da Superintendência do Mapa, na Praça Mauá, o deputado estadual Paulo Ramos, o presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro (Emater Rio), Justino Antônio da Silva, o chefe de gabinete da Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj), Benito Igreja Junior, o coordenador do Mapa/RJ, Celso Merola, o coordenador técnico do Programa Rio Genética, da Secretaria de Estado de Agricultura e Pecuária (Seapec), José Antônio Delazare, o superintendente estadual do Banco do Brasil de Negócios, Varejo e Governo, Reinaldo Kazufumi, os representantes do Banco do Brasil, Luciano Lima e Jair Miller, dentre outros.

Bernardo Ariston agradeceu a presença e disse que este é o momento de união entre todos os atores da sociedade civil. "Nossa missão é extremamente importante e terá consequências benéficas que vão além do que almejamos. Temos que trazer o Rio de Janeiro para o centro político no que se refere à agropecuária. Este é o nosso principal desejo e por isso estamos aqui", declarou.

O presidente Marcos Diaz falou da importância das cooperativas. "Atualmente administramos 2.400 cooperativas no Estado. Estamos dando uma atenção especial para aquelas do ramo Agropecuário no Rio de Janeiro. Portanto, a parceria com o Mapa é de extrema importância para contribuir e ajudar os nossos produtores de alimentos", disse Diaz.

Para Jorge Barros, a realização do encontro foi um orgulho muito grande, pois percebeu-se o reconhecimento da instituição pelo Mapa. "O cooperativismo tem um papel importante no desenvolvimento do país. No entanto, estamos atrás de países como os Estados Unidos no que tange ao engajamento de trabalhadores. Há um ano e cinco meses trabalhamos para empoderar no desenvolvimento das cooperativas do estado", afirmou Barros, acrescentando a parceria com a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), através da Fazendinha, na Penha, visando fortalecer o ramo Agropecuário, com um local para atividades de capacitação dos associados em cooperativas.

Segurança alimentar e novas tecnologias
A preocupação com a produção de alimentos para os próximos anos e a importância das novas tecnologias para o setor também estiveram em pauta.  O diretor da SNA, Paulo Protásio, aproveitou a reunião para falar de sua preocupação com a segurança alimentar no Brasil. "Daqui há alguns anos, a alimentação ficará mais cara que a energia. Diversos países estão investindo em novas tecnologias, principalmente na área da pesca e da agropecuária. Devemos fazer o mesmo. Se nada for colocado em prática, a população passará por grandes dificuldades", afirmou.

Uma das saídas para este problema nos próximos anos é a biotecnologia. E um dos exemplos é o Programa Rio Genética, da Seapec. O coordenador técnico do programa, Luiz Altamiro Nogueira, falou que a iniciativa já está dando certo e afirmou que o país se tornou líder mundial na produção de embriões. "O programa começou em 2011 com apenas seis veterinários e hoje já estamos com 13 profissionais. E os resultados são excelentes", explicou Luiz Altamiro, acrescentando que a biotecnologia deve ser usada a favor da produção de alimentos.

Ao final do encontro, foi marcada nova reunião para o mês de fevereiro, onde serão discutidas a produção de um Termo de Cooperação Técnica entre o Sistema OCB/Sescoop-RJ e o Mapa e a criação de um grupo de trabalho com a presença de representantes de diversas entidades para explicar aos municípios a importância do ramo Agropecuário tem nas respectivas cidades.


Fonte: Richard Hollanda - Montenegro Comunicação - Assessoria Sistema OCB/Sescoop-RJ