terça-feira, 23 de abril de 2013

Até quando esta realidade ?


No dia 23 de janeiro deste ano, a presidente Dilma Rousseff anunciou em cadeia nacional de rádio e TV a redução na tarifa de energia elétrica. Durante seu discurso disse que “a conta de luz, neste ano de 2013, vai baixar 18% para o consumidor doméstico e até 32% para indústria, agricultura, comércio e serviços. Ao mesmo tempo, com a entrada em operação de novas usinas e linhas de transmissão, vamos aumentar em mais de 7% nossa produção de energia e ela irá crescer ainda nos próximos anos”. Entretanto, no dia 15 de abril, os consumidores atendidos pela Ampla tiveram 11,93% de aumento em suas contas. Ou seja, a presidente Dilma anunciou uma ficção, pois mesmo com o anúncio de janeiro, nada foi feito para evitar o aumento oriundo do reajuste das distribuidoras, que são anuais e refletem a variação do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), bem como o aumento do custo dos Encargos de Serviços do Sistema (ESS) e os gastos que as distribuidoras tiveram com compra de energia. Uma vergonha, uma brincadeira, o governo quer criar uma sensação equivocada na população, pois no fundo o consumidor continua pagando caro pela falta de objetividade, de compromisso e de transparência no trato da coisa pública, uma vez tudo acaba sendo repassado para a formação do preço final que cai na nossa mão.

Outro aspecto relevante que sempre acaba caindo no nosso colo e reflete diretamente no nosso bolso é o problema da péssima infra estrutura e da logística do Brasil. Essa questão realmente representa um entrave muito sério quando se fala em crescimento e desenvolvimento econômico do país. Lamentavelmente essa questão tão importante para a estruturação de uma nação forte, sempre foi deixada em segundo plano e sempre que algum aspecto é tratado aparecem diversos problemas que acabam desvirtuando aquilo que realmente deveria ser.  Sito como exemplo matéria exibida no Fantástico do último domingo (21/04) sobre a deficiência estrutural nas ferrovias e portos brasileiros. De acordo com a matéria 20% do preço daquilo que se compra refere-se ao custo do transporte, que fica mais caro a cada ano. Assim, não é difícil entender que mesmo tendo uma super safra de grãos no país esse ano, o preço da comida não tem como ficar mais em conta por causa desse tipo de gargalo. Triste realidade. Para entendermos melhor, me atenho a outro ponto da matéria do Fantástico que nos revelou que o Brasil, em 20 anos, investiu R$ 5,1 bilhões na Ferrovia Norte-Sul e ainda vai precisar gastar mais R$ 400 milhões, em uma obra que já foi considerada pelo TCU como super faturada e mal executada, para que o trem possa finalmente funcionar e transportar nossa produção de maneira mais barata e eficiente. A obra da Ferrovia Norte Sul é a sétima maior obra de transporte em execução no mundo e corta o Brasil do Pará ao Rio Grande do Sul, porém antes de funcionar já está cheia de problemas e deficiências que representam exatamente a falta de  objetividade, de compromisso e de transparência no trato da coisa pública, que citei acima e que acaba caindo no nosso bolso.

Nessa linha de raciocínio reafirmo que um país que pretende ser potência mundial não pode mais admitir esse tipo de situação e precisa tomar medidas enérgicas para que essa realidade mude imediatamente. O que adianta ter uma super safra de soja e ver os contratos de compra celebrados com a China, por exemplo, sendo cancelados por não haver garantias de cumprimento do prazo de entrega do produto ?!? O que adianta uma produção monstruosa de alimentos se a nossa população não consegue comprar ?!? O que adianta ter uma economia de consumo onde há estímulo para a compra de eletrodomésticos e não ter de fato mudanças na qualidade de vida das pessoas ?!? No meu artigo anterior manifestei preocupação com a associação da realidade de nossa infra estrutura à nossa condição social deficitária, uma fórmula que privilegia o atraso e o subdesenvolvimento. Nossa realidade é sui generis, as diferenças sócio econômicas são gritantes. O país é rico, mas há pobreza, há miséria, aproximadamente 54% da população compõe a classe média e existe também uma pequena classe milionária. Apesar de estarmos na octogésima quinta (85ª) posição, dentre os 187 países avaliados pelo PNUD, o IDH do Brasil é considerado de "Desenvolvimento Humano Elevado, o que se explica pelos bons resultados econômicos e sociais nos últimos anos, apesar e também pelo aumento da expectativa de vida em nosso país. Por outro lado, apresentamos sérios problemas de saneamento e de abastecimento de água, bem como, na distribuição de renda e, principalmente, no nosso sistema de educação, o que justifica não termos um IDH melhor. No Brasil, em 2012, verificou-se aproximadamente 16 milhões de analfabetos e aproximadamente 30 milhões de alunos que não concluíram a 4ª série do ensino fundamental. Essa triste realidade é fruto de um modelo de educação arcaica e com pouca inovação, que trataremos amiúde em outros artigos, por se tratar de assunto relevante.

Tenho certeza e acredito que podemos mudar essa realidade. Contudo, temos que firmar posições com pessoas capacitadas e compromissadas com o cidadão brasileiro e com a coisa pública, com pessoas que tenham como objetivo a utilização da política como instrumento de inclusão social e de transformação da nossa realidade, com pessoas que sejam eficientes, sérias e objetivas, que tenham condições reais de influir no processo político, que sejam bem relacionadas e bem intencionadas, capazes de promover exatamente aquilo que se faz necessário para a construção de uma nação feliz e saudável, sob todos os aspectos, e com desenvolvimento sócio econômico  real.

Bernardo Ariston

domingo, 7 de abril de 2013

Nossa Guerra é diferente.


Após sofrer sanções da ONU por ter realizado testes com armas nucleares Kim Jong-un, o ditador norte coreano, passou a fazer ameaças de guerra contra a Coreia do Sul e os Estados Unidos. Analistas avaliam a princípio ser uma estratégia para chantagear o ocidente na busca por alimentos, bem como para demonstrar internamente que o país é forte e que seu líder é firme. Todavia, chama atenção o fato de que as chantagens norte coreanas vêm sendo feitas homeopaticamente e com resultados que nos levam a crer que de fato há um sinal de alerta real para um conflito armado. Os mesmos analistas avaliam que o jovem ditador tem sido eficiente na guerra de palavras ao manter o assunto em evidência nos noticiários internacionais das últimas semanas. Uma das ultimas ameaças foi o anuncio da aprovação final para um ataque nuclear aos estados unidos, imediatamente rechaçado pela ONU quando o Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, recomendou que a Coreia do Norte mudasse de rumo e afirmou que a crise poderia ter consequência gravíssimas. Obviamente, sem pestanejar, os Estados Unidos reforçou suas defesas no Pacífico.

Na certeza de que cada um trata de seus problemas de acordo com sua conveniência,  é imperioso dizer que, por aqui, também estamos em sinal de alerta, tentando resolver os nossos. De fato há uma crise econômica mundial e o Brasil tem rebolado para não entrar nesse furacão. Estamos na iminência da maior safra de grãos do mundo, somos os maiores exportadores de carne bovina e considerados como um celeiro mundial de alimentos, entretanto, um dos grandes problemas da nossa economia, pasmem, é o preço dos alimentos.  A propósito, é esse aumento que está servindo como pano de fundo para justificar o desvio da meta da inflação. Por um outro lado o governo se esforça para estimular a produção. Recentemente a Presidente Dilma editou uma Medida Provisória aumentando a quantidade de setores beneficiados com a desoneração da folha de pagamento. Essa medida tem como objetivo a redução do custo de produção no Brasil e o governo acredita que essa redução se transforme em expansão do investimento. 

Espero que o governo esteja certo no que tange a política de estímulo à produção, mesmo sabendo que algo a mais sempre pode ser feito. Contudo, lamentavelmente nossa infra estrutura é muito aquém do que realmente necessitamos. Essa questão é preocupante e quando associada a uma condição social deficitária, nos impõe freios no desenvolvimento. Estamos atrasados e, mesmo ocupando a sexta posição no ranking da economia mundial, ainda somos detentores de realidades que nos colocam num patamar fragilizado, basta checar nosso IDH para entender. Adotamos políticas que na prática servem meramente para alimentar índices e rankings, mas que na verdade nos amarram, uma vez que, para executá-las, desprendemos energia e recursos que não são transformados em resultados concretos e efetivos. Nossa guerra é diferente, precisamos nos defender educando e dando qualidade de vida com justiça social ao nosso povo, bem como investindo maciçamente na infra estrutura do país. Nossa guerra é contra o atraso, contra o preconceito, contra essa política mesquinha que se alimenta do subdesenvolvimento desse “sistema” falido. Nossa guerra é, acima de tudo, por inclusão social, lato senso, e pela valorização do Brasil.

Bernardo Ariston