segunda-feira, 6 de abril de 2015

Tentaram me contar uma estória

Quando o Prefeito de Cabo Frio reuniu coletiva de imprensa para se manifestar acerca da crise no orçamento local e apresentar seu pacote de ações para contê-la, imediatamente publiquei um artigo me posicionando e fechei questão para que o evento fosse transmitido ao vivo durante a programação da Rádio Litoral. Cheguei a declarar num comentário que a atitude do Prefeito era de desprendimento e de coragem, pois assim ele começaria a enfrentar a crise de frente, sem mais delongas e poderia fazer um chamamento para a união de todos contra o problema, bem como poderia dar um norte à questão, afinal, ninguém mais do que o Prefeito para tomar a frente e partir para a solução. Todavia, após a coletiva, fiquei com a impressão de que tentaram me contar uma estória. Tenho certeza de que o resultado poderia ter sido muito melhor e não me refiro apenas às medidas anunciadas, mas ao todo. Aquele momento poderia ter sido um marco positivo, mas ao optarem por usá-lo para anunciar medidas primárias, desarticuladas, eivadas de dúvidas e apontar apenas fatores externos como fontes dos problemas, perderam a oportunidade.

Atribuir a culpa dos problemas locais ao escândalo da Petrobrás, por exemplo,  não foi correto, todos sabem que a queda do preço do barril do petróleo se deu em função de uma conjuntura econômica internacional. Correto teria sido admitir que houve excessos no uso do recurso público e que a gestão da coisa pública está frágil e aquém daquilo que deveria ser. É fato, arrasta-se há muitos anos, concomitantemente a todos os problemas que possam alegar, uma crise na administração pública local por frivolidade na gestão. A lei de responsabilidade fiscal grita flagrantemente. É cristalino que a administração se beneficiou dos royalties para engordar seu orçamento, que minimizou o planejamento futuro inflando a folha, que foi perdulária, imediatista, que gastou em excesso e nunca se preparou para momentos assim. Não obstante, quando o problema é justamente no orçamento, por força de uma situação que sempre foi previsível, vemos claramente que governar com responsabilidade, austeridade e com visão desenvolvimentista é para poucos. Triste realidade.

Não estou contra ninguém, esse jogo não é pessoal, não me julguem pelas críticas, pois as faço para construir, só não achem que só eu que as faço, sou mais um dos muitos que querem ver novos rumos para a política brasileira. Com certeza ainda percebemos efetivamente um modelo retrogrado e irresponsável que impera “coronelisticamente” em nossa realidade política. Pretender um modelo participativo que privilegie o bem comum, o desenvolvimento sócio econômico e a justiça social, um modelo cuja essência não seja a busca por privilégios individuais e por enriquecimento financeiro, mas que seja indutor para um futuro melhor e mais seguro para todos, se faz mister. Devemos observar bem, querer saber e poder refletir, também, sobre o papel dos vereadores que, além de legislar, deveriam fiscalizar os atos do poder executivo, inclusive acompanhando os gastos públicos. Como assim ?!? Pois é...

Bernardo Ariston
06/04/2015

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