quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O Lulopetismo e o Alairismo

Em entrevista ao jornal O Globo, no dia 05/09, o ex presidente FHC, de forma inteligente definiu o Lulopetismo como sendo "a idéia da hegemonia do partido, de que o partido domina o Estado e o Estado muda a sociedade", afirmando, ao final da resposta, que "essa é a trajetória que o PT tentou imprimir".

Após refletir sobre definição tão realística, tracei um paralelo até Cabo Frio. Obviamente que comparei, porém, estando seguro da realidade diminuta a que me transpunha, conclui: se há o Lulopetismo definido por FHC, é possível dizer que, em escala muito menor  há, em Cabo Frio, o Alairismo. Resguardadas as proporções, esse pensamento é realístico e tem um alto grau de incidência local. O Alairismo, é "barata voa", para muitos figura acima do bem e do mal. Contudo, apesar de acontecer numa cidade do interior do Rio de Janeiro, se o compararmos, perceberemos que não se coloca menos importante do que o Lulopetismo, pois é na cidade onde realmente as pessoas vivem objetivamente.

Parafraseando FHC, com todo respeito, e fazendo uma pequena analogia, fica fácil definir e entender o Alairismo como a idéia da hegemonia do líder populista, que pela fragilidade do sistema, pela submissão do legislativo local ao executivo e pela relação de paixão cega que tem de seus eleitores, o líder domina a cidade, ardilosamente, e a cidade muda (tenta mudar) o cidadão. O que importa são as idéias e as vontades do líder, o povo que se submeta e acompanhe. “O povo que se exploda” diria a personagem de Chico Anísio.

O Alairismo é a doutrina política que se adotou em cabo frio e que vem pautando a gestão da coisa pública. Ao ser implementada, a cidade faliu. Condutas duvidosas, temerárias e clientelistas vêm marcando esse periodo. A LRF (lei de responsabilidade fiscal) foi rasgada, bem como atitudes desmedidas com os recursos oriundos dos royalties acabaram jogando por terra a esperança de que sua aplicação fosse justa, sendo o seu fator determinante o bem estar da população e a garantia de um futuro digno e equilibrado.

A cereja do bolo se materializa na falência do município, na ausência de um plano verdadeiro de contenção de despesas, na ausência de um planejamento capaz de orientar a reversão dessa triste realidade e na total falta de compromisso com a coisa pública e com o bem comum. O pior de tudo é ver o jogo de cena. O bordão "me engana que eu gosto" está enraizado na cabeça dos fracos que se apaixonam e se deixam levar pelas ilações, pelas invencionices e pelo proselitismo do líder populista, cuja satisfação é ter o poder para ascender e se colocar acima daquilo que verdadeiramente é. 

Precisamos reagir...

Bernardo Aniston

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