sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Liberdade, liberdade !

A incompetência e o descaso dos nossos políticos fizeram Cabo Frio perder, em apenas dez anos, mais da metade (54,97%) do seu território. As emancipações de Arraial do Cabo, na década de 80, e de Búzios, nos anos 90, esquartejaram o território e a economia cabofriense e, embora tenhamos conseguido, desde então, manter intacto o que nos restou, o município corre o risco de ser ainda mais desfigurado pela emancipação de Tamoios e pela possível anexação de Maria Joaquina a Búzios.

O futuro é sombrio  porque, dificilmente,  a vontade legítima de um povo vai encontrar resistência na classe política.  Liberdade será sempre uma reivindicação legítima, embora não tenha sido o argumento principal  que levou os cabistas e buzianos a lutar pela separação do município mãe e, com certeza, não é o discurso que leva Tamoios a buscar a independência ou Maria Joaquina a sonhar em se tornar um bairro de Búzios. O combustível que  moveu o sonho no passado e move o sonho  do futuro é o mesmo: abandono.

Quando Arraial do Cabo iniciou a luta pela emancipação tinha metade da população que tem hoje, 30 mil habitantes - segundo estimativa  do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)  em 2018 - e uma economia fortalecida pela Companhia Nacional de Álcalis, que empregava dois mil trabalhadores e produzia 200 mil toneladas/ano de barrilha, utilizada na indústria de vidro. O orçamento de Cabo Frio somava cerca de 10 milhões de Cruzeiros  - a moeda da época - e o então, prefeito Alair Corrêa, prometia investir  metade do orçamento no distrito. A promessa  midiática e mentirosa jamais foi cumprida, apesar de Arraial, através da Álcalis,  contribuir com 60% da arrecadação de Cabo Frio.

A falta de investimentos no serviços básicos e, novamente, o descaso do poder público com os buzianos levou o então Terceiro Distrito a trilhar o mesmo caminho. O grito de liberdade  ecoou já naquela época em Tamoios, que se uniu a Búzios para viabilizar a emancipação  de Cabo Frio num protesto legítimo contras governos que desprezaram, por décadas o balneário, que acabou emancipado sozinho. O sonho de emancipação de Tamoios se mantém vivo, embalado não só pelo indiferença dos  prefeitos e vereadores mas, também, pela distância do distrito da sede. 

A população de Tamoios se sente isolada, desassistida, ignorada. A emancipação do segundo distrito vai reduzir Cabo Frio a 112 quilômetros quadrados. Cabo Frio, de acordo com cálculos de especialistas, vai perder mais de 50% dos royalties. Não é discurso, nem boas intenções, que vão sepultar - se é que é possível - o desejo de emancipação do povo de Tamoios, mas ações concretas que devem ir além de recapear ruas e pintar meios-fios.

As emancipações de Arraial do Cabo e Búzios podem não ter trazido as soluções que cabistas e buzianos esperavam quando foram as urnas dizer “sim”.  As duas cidades ainda enfrentam problemas básicos, mas  o destino de cada uma delas está nas mãos do seu povo. Liberdade e independência são o caminho para o crescimento. Por  outro lado  os discursos alarmistas dos prefeitos que previram a falência do município, também não se concretizaram, uma prova do total desconhecimento dos nossos políticos da realidade e do potencial de Cabo Frio.
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Em tempo:  A minha vida toda morei em apartamento mas, agora, em Cabo Frio, descubro a liberdade de morar numa casa. A experiência tem sido revigorante, não só pra mim e para Janaína mas, principalmente, para o nosso filho, João. Eu e Janaína temos descoberto prazeres simples que só uma casa proporciona, como molhar as plantas e observar canários brincando no jardim. João está descobrindo que o quintal   - um espaço, infelizmente, em extinção nas grandes cidades - é um mundo cheio de alegrias e descoberta. Ver meu filho crescer com mais liberdade - o assunto que dominou esta coluna - me encoraja a dar um segundo passo que, certamente, ele vai adorar: adotar um cachorro.

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